quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sobre escrever uma dissertação


É interessante notar o movimento que se realiza na sua mesa de estudo.
Durante o processo de escrita você vai acumulando livros, xerox, rascunhos, anotações, até a marca da xícara de café começa a ficar forte sobre a mesa... O seu local de estudo vai se desenvolvendo, a bagunça vai se instaurando, o caos vai se formando. 

Como resolver isso?? 
Não se resolve. 

Quando você parte para o próximo capítulo, há um processo de deslocamento do caos (risos). A bagunça antiga dar lugar a uma nova bagunça. 
Veja a importância do espaço! 
Os objetos parecem seres carentes que procuram a sua utilidade. Quando usados, são "descartados", ou melhor, voltam para a estante, para a prateleira; mas ainda têm aqueles que ficam sobre a mesa até o fim: a Iracema, o Lukács, o Schelling, o Bernardo... 

E assim a gente vai fazendo e desfazendo...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

o mundo circundante que gostaria de entrar e ficar

Nesse mês de fevereiro comecei a sistematizar os meus estudos, portanto, precisei entrar em um esquema bastante programático. Estipulei horas exatas para tudo que faço, como no ano que estava me preparando para a seleção do mestrado, em 2012. Contudo, o desafio se mostra bastante complexo. Antes, eu respirava uma tranquilidade muito forte que não tenho hoje; o que não tem nada relacionado a problemas pessoais, mas só a minha hiperatividade, que, às vezes, é muito forte.
Estou em uma agitação que é muito comum em mim. Sempre foi. Mas a impressão que tenho é de tudo estar muito conectado. São muitas pontas soltas nesse mundo que eu tento juntar, e, na verdade, eu não tenho obrigação nenhuma de juntar essas pontas que sobram por aí.
Ainda não consigo fechar o mundo circundante que gostaria de entrar e ficar. Fico agoniado por dentro quando não consigo cumprir o programa para uma tarde ou noite. Eu me sinto na obrigação de cumprir exatamente tudo, mesmo que o mundo esteja desmoronando lá fora. Só encerro a atividade quando efetivamente terminada, pelo menos é dessa forma que tento levar.
Acredito que é uma questão de tempo apenas para ter 100% de disciplina e foco. Em uma escala de 0 a 100%, acho que estou nos 70%.
Enquanto o círculo não se fecha, eu tento buscar um resultado bacana. As leituras estão sendo feitas, os fichamentos redigidos e as reflexões em curso.

O desafio é grande. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"Como trabalha o tempo elaborando o quartzo"

“Como trabalha o tempo elaborando o quartzo,
tecendo na água e no ar anêmonas cometas,
um pensamento gira e inferno e céu modela.”
(Solombra, Cecília Meireles)


Hoje completa um ano que sai de casa para realizar um sonho e levar tantos outros no coração. Não gostaria de deixar a data passar. É necessário ter plena consciência das nossas escolhas e, principalmente, como estas escolhas estão de fato acontecendo. Por que não parar para pensar nos rumos e nos ciclos?

Passado, presente e futuro - Manuel Bandeira

Só o passado verdadeiramente nos pertence.
O presente... O presente não existe.
Le momento ù je parle est déjà loin de moi.
O futuro diz o povo que a Deus pertence.
A Deus... Ora, adeus!

domingo, 12 de janeiro de 2014

Esvaziando

Há tempos sinto uma necessidade de escrever. Uma vontade que cessa muitas vezes, mas que reaparece sob um ímpeto. Tem dias que meu corpo se movimenta em excesso e eu me sinto em um fora, como se nada fosse suficiente ou como se tudo fosse dar errado. Dessa experiência, tomei a decisão de fazer um teste comigo mesmo: construir momentos comigo para tentar conquistar a paz.

A música me espalha e eu preciso de calma.
A imagem me desafia e não é isso que procuro.
A fumaça me deixa fora do controle e eu preciso de controle.

Não tenho pretensões artísticas. Eu não sou poeta. Eu não sou escritor.
Cunho o escritor à medida romântica, mas a escrita é de todos.
Aqui é o lugar para eu me esvaziar. Eu preciso me esvaziar para andar.
Dentro de mim encontro muito. Ando cheio de mundo. O viver que precisa se soltar para dar espaço para outros.
É só assim que posso me acalmar e escrever, escrever, escrever...
Mas eu não sou errante.