Há tempos sinto uma necessidade de escrever. Uma
vontade que cessa muitas vezes, mas que reaparece sob um ímpeto. Tem dias que
meu corpo se movimenta em excesso e eu me sinto em um fora, como se nada fosse
suficiente ou como se tudo fosse dar errado. Dessa experiência, tomei a decisão
de fazer um teste comigo mesmo: construir momentos comigo para tentar conquistar
a paz.
A música me espalha e eu preciso de calma.
A imagem me desafia e não é isso que procuro.
A fumaça me deixa fora do controle e eu preciso de
controle.
Não tenho pretensões artísticas. Eu não sou poeta.
Eu não sou escritor.
Cunho o escritor à medida romântica, mas a escrita
é de todos.
Aqui é o lugar para eu me esvaziar. Eu preciso me
esvaziar para andar.
Dentro de mim encontro muito. Ando cheio de mundo. O
viver que precisa se soltar para dar espaço para outros.
É só assim que posso me acalmar e escrever, escrever,
escrever...
Mas eu não sou errante.
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